Uma série de eventos de negócios, culturais e de lazer, realizados em maio, em Teresina, reverteu uma queda no número de turistas que esteve na capital piauiense de janeiro a abril de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Depois de quatro meses consecutivos de retração, Teresina registrou um crescimento no fluxo de turistas em maio.
Dados levantados e analisados pelo economista Eneas Barros, divulgados neste mês de julho, apontam que a movimentação turística que chegou à capital pelo Aeroporto de Teresina aumentou 13,2% em maio em relação ao mesmo mês de 2024. Foram 53.400 visitantes registrados em maio deste ano, contra 47.162 no mesmo período do ano passado.
Mesmo com a recuperação no quinto mês do ano, no acumulado de janeiro a maio, o cenário foi de queda. A capital perdeu 9,4% do fluxo turístico em comparação ao mesmo intervalo de 2024, caindo de 270.597 para 247.272 visitantes.
A reversão observada em maio, segundo Eneas, está diretamente relacionada à programação intensa de eventos que movimentou a cidade no período. “A movimentação turística em maio praticamente anulou o ritmo de queda que vinha sendo observado desde o início do ano. A quantidade de visitantes extras gerada pelos eventos se aproxima da variação positiva registrada oficialmente no aeroporto, o que mostra uma forte correlação entre os dois fatores”, explicou o economista.
Entre alguns eventos realizados em maio na capital, estão Casa Cor Piauí, Feira de Turismo do Piauí e Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Cultura.
Eneas ressalta que, ainda que nem todas as programações tenham vocação turística, muitas já demonstram esse potencial. “É evidente que nem todos esses eventos atraem fluxo turístico, mas alguns deles já têm esse poder. Foram atividades que envolveram cultura, turismo, qualificação profissional e experiências imersivas. Quando analisamos o perfil do público, percebemos que parte significativa veio com o objetivo claro de participar dessas ações e acabou gerando impacto direto na ocupação hoteleira e na economia da cidade”, avaliou.

O economista explica que manter o crescimento exige que o poder público enxergue ainda mais o turismo como vetor econômico e social. “Em 2022, o Imposto sobre Serviços (ISS) de Teresina foi de R$ 310,3 milhões, dos quais R$ 18,9 milhões vieram do turismo, 6,1% do total. Esses números precisam ser levados em conta na hora de priorizar investimentos, especialmente em ações como participação em feiras e monitoramento contínuo do setor. A área de planejamento, é essencial para o desenvolvimento sustentável da atividade”, reforçou.

SETOR HOTELEIRO
Do ponto de vista do setor hoteleiro, os reflexos foram imediatos. Paulo Brito, gerente geral do Hotel Blue Tree Rio Poty afirmou que maio trouxe uma mudança perceptível no perfil dos hóspedes.
“Nosso público tradicional é majoritariamente do segmento corporativo. No entanto, em maio, percebemos uma mudança significativa. Com a realização de grandes eventos voltados à formação e qualificação de professores, tivemos uma ocupação dividida entre 60% de público corporativo e 40% ligado diretamente aos eventos. Isso demonstra como Teresina vem se consolidando como um destino estratégico para o turismo de eventos”, analisou.

Ele observa ainda que o mês de maio vem se firmando como referência. “Teresina tem avançado de forma consistente na realização de grandes eventos. Um marco importante foi em maio de 2024, com a agenda do G20, que impactou positivamente a hotelaria”, frisou Brito.
Para que esse crescimento se torne contínuo, o empresário defende a criação de um Convention & Visitors Bureau ativo e uma maior articulação entre o setor público e a iniciativa privada.
Fonte: Piauinegocios.com.br